segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

6 DE DEZEMBRO – DIA DO EXTENSIONISTA RURAL

No dia 23 de fevereiro de 1976, recém saído do antigo e famoso Colégio Agrícola de Satuba, eu ingressava numa das mais importantes instituições do Estado de Alagoas – a ANCAR-AL.
A Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural, integrante de um Sistema que prestava assistência ao agricultor em todo o País, se revelava um modelo de organização e era depositária das esperanças de desenvolvimento do meio rural brasileiro.
Vivíamos, naquele ano, o processo de transição para o Sistema EMBRATER. A ANCAR, então, seria sucedida pela EMATER-AL (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural).
Integrante de uma turma de vinte novos extensionistas, sendo seis Agrônomos, quatro Médicos Veterinários e dez Técnicos Agrícolas, lá estava eu, com meus 18 anos, iniciando minha vida profissional.
Depois de um Curso de Pré-Serviço, realizado no Centro Social Rural Dom Adelmo Machado, pertencente à Arquidiocese de Maceió, a turma foi distribuída pelas diversas regiões do Estado. Fui designado para o Escritório de Mata Grande, que atendia também os municípios de Canapí e Inhapí.
Substituindo o Agrônomo Joaci Augusto Barbalho – um potiguar natural de Caicó, que assumira um cargo de coordenação na nossa Gerência em Santana do Ipanema, iniciei as atividades do Escritório, improvisado numa garagem situada na Rua Ubaldo Malta. Fazia-me companhia o colega Antônio Soares Mota, conhecido desde os tempos de Colégio por Lambreta.
Lá encontramos a Secretária Maria de Fátima Sandes Xavier. Natural de Mata Grande, tinha a experiência necessária para auxiliar dois novatos, depois de ter trabalhado com o próprio Joaci e com Abel Cândido, hoje prestigiado advogado, associado a outro ex-extensionista, o meu dileto amigo Lindalvo Silva Costa.
O Jeep verde, ano 1973, de Placa AB-1523, era o nosso principal instrumento de trabalho. Para percorrer a grande extensão territorial que nos competia, o veículo rústico, com tração nas quatro rodas era indispensável. Afinal, a nossa área era enorme: além da Sede, Mata Grande com área de 919,6 km², contava também com Canapi (571,94 km²) e Inhapi (374,2 km²). Num dado momento, em que o colega de Delmiro Gouveia teve de seu ausentar, assumi aquele Escritório por cerca de três meses (mais 606,79 km²), além de Água Branca, que ainda contava com o atual município de Pariconha (716,38). Total: 3.188,91 km².
Os pouco mais de dois anos em que fui Extensionista não foram suficientes para fazer muita coisa. Entretanto, consegui deixar no Escritório de Mata Grande um grande número de projetos de investimento, no âmbito do antigo PROTERRA – Programa de Redistribuição de Terras e Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste, tendo o crédito rural como ferramenta importante. Aliás, o Banco do Brasil – no nosso caso, a Agência de Santana do Ipanema, era parceiro nesse trabalho. Por conta disso, tínhamos constantes reuniões na Sede do nosso Regional, o que suscitava comentários jocosos dos colegas do BB.
Quando éramos ANCAR, os bancários diziam que, na verdade, a sigla significava: “Agrônomos Nordestinos Continuam Ainda Reunidos”. Quando veio a EMATER, nós os provocamos para uma nova interpretação. Eles, então, vieram com esta: A sigla seria: “Embora Mudados Ainda Temos Eternas Reuniões”. Era uma prova da agradável convivência entre os agentes de extensão e as instituições parceiras.
Em Delmiro Gouveia, o curto período em que lá estive foi marcado pela mudança do Escritório, de um velho casarão para o recém inaugurado Centro Administrativo, a nova Sede do Poder Executivo Municipal.
São muitas as lembranças que tenho daqueles tempos e, a propósito deste DIA DO EXTENSIONISTA RURAL, parabenizo esses profissionais na pessoa da minha amiga Rita de Cássia Ferreira Lima, Superintendente de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário.


Escritório da EMATER em Mata Grande - 1976.


Eu (à direita) e meu colega Antônio Soares Mota - Mata Grande - 1976.


Antiga Sede da EMATER em Delmiro Gouveia - 1976.
(Obtida no blog: www.amigosdedelmirogouveia.blogspot.com)


Centro Administrativo de Delmiro Gouveia. Nova sede do Escritório da EMATER a partir de 1976.
(Obtida no blog: www.amigosdedelmirogouveia.blogspot.com)


Técnicos Agrícolas, quase todos da antiga EMATER, reunidos em Pão de Açúcar para reorganizar a sua Associação, precursora do Sindicato da categoria. 1977.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

SALVE 15 DE OUTUBRO - DIA DO PROFESSOR

O VELHO MESTRE

Renê Barreto¹

Andava muito doente o velho professor...
Por isso ele não tinha agora o mesmo ardor
Que outrora o possuía e o animava dantes.
Às vezes, quando em aula, havia mesmo instantes
Em que inclinava a fronte - aquela fronte austera
Onde já desbotara a flor da primavera
E cochilava um pouco, involuntariamente.

O velho professor andava muito doente....

Era, porém, tamanho o bem que nos queria,
Que jamais quis pedir aposentadoria
E manter-se do Estado a custa dessa esmola...
Era sempre o primeiro a aparecer na escola
Com as suas joviais maneiras tão simpáticas
Não obstantes sentir umas dores reumáticas,
Que o faziam sofrer muito ultimamente...

O velho professor andava muito doente....

Um dia ele chegou mais tarde alguns momentos.
Trazia nas feições sinais de sofrimento...
A palidez do rosto, os olhos encovados,
Denunciavam seus pesares ignorados;
E, como pra tornar a dor mais manifesta,
Cavara-se-lhe fundo uma ruga na testa
Franzia-se-lhe o rosto numa expressão de horror...

Andava muito doente o velho professor...

A aula começou. Mas pouco depois das onze,
O velho mestre, o bom batalhador de bronze,
Que já perto de trinta anos, ou mais, havia
Que gigantesco herói, lutava dia a dia
Para a glória da Pátria e para o bem da infância,
Dando batalha ao vício e combate à ignorância,
Sentindo de uma dor agudos abrolhos,
Curvou as nobres cãs, cerrou de leve os olhos.

Fora fulgia o sol. A manhã era calma.
Risonha, a naturêza abria a sua alma,
Repleta de alegria e cheia de esplendores.
Pela janela entrava o hálito das flores.
E em toda a atmosfera, azul, lavada, fina,
Ressoava, baixinho, assim como em surdina,
O canto celestial, harmonioso e suave:
Anjos tocando em harpa alguma canção de ave.

Nisto ergueu-se um aluno, um pândego, um peralta,
Fabricou de um jornal um chapéu de copa alta
E bem devagarinho (oh! Que idéia travessa)
Chegou-se ao mestre...záz! enfiou-lhe na cabeça,
E rápido, se foi de novo ao seu lugar...
O mestre nem abriu o sonolento olhar.

E, aquele aspecto vil de truão, de improviso,
Rebentou pela aula estardalhante riso.
De súbito surgiu o diretor na sala...
Demudou-se-lhe o gesto, estremeceu a fala,
Quando ele, transformando a mansidão de boi
Em fúria de leão, nos perguntou: Quem foi?
Quem foi esse vilão que fez tal brejeirice,
Sem respeito nenhum às cãs desta velhice?!
Vamos lá! Sedes leais, verdadeiros e francos!
Dizei: Quem ofendeu estes cabelos brancos?

Mas ninguém denunciou da brincadeira o autor,
E como um clown, dormia o velho professor.
O diretor, então chegou-se junto à mesa...
Via-se-lhe no rosto incômodo, a surpresa
De que o sono do Mestre assim se prolongasse,
Curvou-se meigamente e levantou-lhe a face...
Mas recuou tremendo, aterrorado, absorto,
Aniquilado e mudo...

O Mestre estava Morto...
___________
¹ Educador_1872-1916.
_______________________
Extraído do livro de leitura de minha mãe: Corações de Crianças-Terceiro Livro, de Rita de Macedo Barreto.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A POESIA DE MÁRIO BENEDETTI



GENTE QUE EU GOSTO

Em primeiro lugar,
Gosto de gente que vibra, que não tem que ser empurrada,
Que não precisa que lhe diga que faça as coisas
Porque sabe o que tem de fazer
E que o faz em menos tempo do que o esperado.
Gosto de gente capaz de medir as conseqüências de seus atos,
Gente que não deixa as soluções ao acaso.
Gosto de gente rigorosa com seu povo e consigo mesma,
Mas que não perca de vista que somos humanos e que podemos errar.
Gosto de gente que pensa que o trabalho em equipe, entre amigos,
Produz mais que os caóticos esforços individuais.
Gosto de gente que sabe a importância da alegria.
Gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos serenos e razoáveis.
Gosto de gente criteriosa, que não se envergonha de reconhecer que não sabe algo e que se equivocou.
Gosto de gente que, ao reconhecer seus erros, se esforça verdadeiramente em não voltar a cometê-los.
Gosto de gente capaz de me criticar construtivamente e de frente; a estes eu chamo de amigos.
Gosto de gente fiel e persistente, que não sucumbe quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Gosto de gente que trabalha por resultados.
Com pessoas assim, me comprometo a qualquer coisa, já que tê-las ao meu lado é por demais gratificante.

Mario Benedetti (Tradução: Etevaldo Amorim)

********* *************

PASSATEMPO

Quando éramos crianças,
os adultos andavam pelos trinta;
uma poça era um oceano -
a morte não existia.

quando rapazes,
os velhos eram gente de quarenta;
um charco era um oceano -
a morte somente uma palavra.

já quando nos casamos,
os anciãos estavam nos cinqüenta;
um lago era um oceano - a morte era a morte
dos outros.

agora veteranos,
já alcançamos a verdade;
o oceano é por fim o oceano -
mas a morte começa a ser
a nossa.
________
Mario Benedetti (Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 — Montevidéu, 17 de maio de 2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, à qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros. Considerado um dos principais autores uruguaios, ele iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar "Poemas de Oficina", uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema.
Fonte: Wikipedia (Tradução de Sidney Wanderley)
Obtido no Blog do Majella (http://majellablog.blogspot.com/)

domingo, 8 de agosto de 2010

O HERÓI

Judas Isgorogota¹

"— Papai, o que é um herói?
Eu pergunto por que tenho grande vontade
De ser herói também ...
Será que posso ser herói sem entrar numa guerra?
Será que posso ser herói sem odiar os homens
E sem matar alguém?"

O homem, que já sofrera as mais fundas angústias
E as mais feias misérias,
Trabalhando a aridez de uma terra infecunda
Para que não faltasse o pão no pequenino lar;

O homem, que as mais humildes ilusões perdera
No seu cotidiano e ingrato labutar;
Aquele homem, ao ouvir a pergunta do filho:
— "Papai, o que é um herói?"
Nada soube dizer, nada pôde explicar...

Tomou de uma peneira
E cantando saiu, outra vez, a semear!

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Dedico a meu saudoso pai (Agnelo Tavares Amorim), falecido em 23/07/2002. Humilde agricultor, não tendo muito a me deixar em bens materiais, deu-me por herança o que de mais precioso tenho.
______________
¹ Pseudônimo de Agnelo Rodrigues de Melo, poeta e Jornalista brasileiro. Nasceu em Lagoa da Canoa, Alagoas em 15 de setembro de 1901. Viveu em Maceió, mudou-se aos 23 anos para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo onde ganhou projeção internacional e veio a falecer em 1979. Publicou 15 livros de poesias, uma novela e cinco de poesias infantis. Parte de sua obra poética traduzida para vários idiomas (francês, inglês, alemão, espanhol, italiano, húngaro, árabe, checo e lituano). Com toda essa bagagem é quase um desconhecido em sua terra. O poeta teve uma filha à qual deu o nome de Rima Augusta.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FUNDAÇÃO DO PMDB EM PÃO DE AÇÚCAR

12 DE OUTUBRO DE 1980.

domingo, 18 de julho de 2010

TRINTA ANOS SEM VINÍCIUS


Assisti, hoje, ao programa Espaço Aberto (Globo News), comandado por Edney Silvestre, com a participação de Sérgio Cabral e José Castelo. Este último, autor do livro VINÍCIUS DE MORAIS O POETA DA PAIXÃO-UMA BIOGRAFIA, relatou ter ouvido dizer que, por ocasião da decretação do AI-5 (Ato Institucional da Ditadura Militar que fechou o Congresso Nacional e promoveu cassações), Vinícius de Morais se achava num Teatro em Portugal.
Num intervalo, foi comunicado de que, no Brasil, a Ditadura teria endurecido com a decretação do famigerado Ato. Terminado o espetáculo, foi igualmente avisado de que a Juventude Salazarista estava promovendo uma manifestação a favor dos golpistas brasileiros e que ele, por prudência, deveria esperar.
Vinícius decidiu sair. Na porta dos fundos do Teatro, por onde saem os artistas, viu-se diante dos jovens defensores da direita portuguesa a vaiá-lo. Manteve-se em silêncio até que os gritos amenizassem e, então, recitou inteiro o poema PÁTRIA MINHA.
Ao final, os rapazes retiraram os paletós e os estenderam no chão, um após o outro, formando um tapete por onde Vinícius passou triunfante.
“Vinícius de Morais era um homem que acreditava na força da Poesia” - concluiu o biógrafo.
Mais do que a força da poesia, este fato demonstra a força da palavra e do gesto.

PÁTRIA MINHA

A minha pátria é como se não fosse,
é íntima doçura e vontade de chorar;
uma criança dormindo é minha pátria.
Por isso, no exílio, assistindo dormir meu filho,
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te, no entanto, em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um “libertas quae sera tamen”
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama”

Vinicius de Moraes¹
__________________
¹ Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913 e morreu também no Rio de Janeiro, em 9 de julho de 1980. Foi diplomata, jornalista, poeta e compositor. Filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes (funcionário da Prefeitura, poeta e violonista amador) e Lidia Cruz de Moraes (pianista amadora). Faleceu no Rio de Janeiro a 9 de julho de 1980.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MORRE JOSÉ SARAMAGO

(Foto: Sebastião Salgado)

Faleceu hoje, às 12:30 h, na sua residência de Lanzarote [Ilhas Canárias, Espanha], aos 87 anos de idade, o escritor José Saramago.

Autor de “O Evangelho segundo Jesus Cristo", "A Caverna" e "Ensaio sobre a Cegueira" que foi adaptado para o cinema em 2008 em uma produção Hollywood pelo diretor Fernando Meireles, era crítico, jornalista, dramaturgo, colunista e poeta. Sua última publicação, lançada em 2009, foi "Caim" que conta sobre um acordo do personagem do novo testamento com Deus.

José Saramago nasceu em 1922, em Azinhaga, Portugal. Teve uma vida simples passada em sua grande parte em Lisboa, para onde sua família se mudou em 1934. Foi impedido de cursar a universidade e para se manter, trabalhou como serralheiro. Fascinado por livros à noite visitava a Biblioteca Municipal Central para ler.

Aos 25 anos, em 1947, autodidata, publicou seu primeiro romance "Terra do Pecado". Também em 1947 nasce sua filha, Violante, fruto de seu primeiro casamento com Ilda Reis. Em 1988 casou-se com sua atual esposa, María del Pilas del Río Sanchez. Em 1975, Saramago é contratado como diretor adjunto do Diário de Notícias, onde permaneceu por dez meses. Após sua demissão decidiu dedicar-se exclusivamente a literatura.

Em 1995, foi condecorado com o prêmio máximo da lingua portuguesa, Prêmio Camões. Já em 1998, na cidade de Estocomo na Suécia, foi galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura, sob à citação: "Com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia".
**** **** ****

Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

Passado, Presente, Futuro, poema de José Saramago, in "Os Poemas Possíveis" in CITADOR

sexta-feira, 7 de maio de 2010

CANOAS DO SÃO FRANCISCO

segunda-feira, 15 de março de 2010

DOM ANTÔNIO BRANDÃO


Hoje faz cem anos!

O centenário de um fato político é sempre motivo de regozijo e celebração. Neste caso, completado um Século da morte do primeiro bispo de Alagoas, vale registrar o fato como um dever perante a História e para fazer justiça à personalidade marcante que foi Dom Antônio Manoel de Castilho Brandão.

Nasceu em Mata Grande, a 14 de agosto de 1849. Filho do Major Antônio Manoel de Castilho Brandão e de D. Maria Barbosa da Conceição Castilho Brandão, foi batizado por seu tio, o Pe. Matias José de Santana Brandão, no dia 17 de setembro de 1849, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, em sua terra natal.

Sua educação foi confiada aos avós paternos Anacleto de Jesus Maria Brandão e Maria Francisca, passando a residir em Pão de Açúcar, onde iniciou seus estudos primários, continuados em Penedo no Colégio N. S. da Conceição, mantido pelo Dr. José Próspero Jeovah da Silva Caroatá.

Seus estudos eclesiásticos foram feitos no Seminário de Olinda, vindo a ordenar-se no dia 30 de maio de 1874, no Ceará, por não haver bispo na ocasião em Pernambuco.

A sua primeira missa foi celebrada na matriz do Sagrado Coração de Jesus, em Pão de Açúcar, no dia 19 de julho de 1874. Foi pároco da Freguesia de Floresta, Estado de Pernambuco, de janeiro de 1875 a março de 1879. Daí em diante passou a paroquiar a Freguesia de Santana do Ipanema.

Em 20 de novembro de 1886, foi nomeado vigário da cidade de Alagoas (hoje Marechal Deodoro). Já em 7 de setembro de 1894, foi nomeado bispo de Belém, Estado do Pará, tomando posse somente em fevereiro de 1895, posto que só seria sagrado bispo em Roma, a 18 de novembro de 1894.

Com a criação da Diocese de Alagoas, em 1901, foi D. Antônio Brandão nomeado seu primeiro bispo, em agosto daquele ano, posto em que veio a falecer, em Maceió, no dia 15 de março de 1910.

Àquela época, estava à frente da Paróquia de Pão de Açúcar o Pe. Júlio Albuquerque, um dos mais importantes intelectuais do clero alagoano e um dos fundadores da Academia Alagoana de Letras. Na missa dominical do dia 21 de março de 1910, pronunciou uma eloqüente “oração fúnebre” (assim intitulada quando da sua publicação pelo jornal A IDÉIA), em que enaltece as suas qualidades:

“D. Antônio Brandão possuía, no seu caráter adamantino, uma força de vontade superior. Tinha, nos atos de justiça, sentenças de Salomão. Não via obstáculo quando se tratava de procurar o bem da religião, a cujo serviço dedicou-se, ininterruptamente, dando-lhe o melhor de sua robustez moral e as primícias de sua mocidade.”

“E hoje que, cheios de luto, assistimos a esta última homenagem que a religião nos inspira; hoje que juntamos a tristeza de nossas lágrimas à funérea luz desses círios, que também lacrimejando ornamentam este monumento de morte enviemos, do fundo do nosso coração, à porta do tabernáculo da Divindade, uma prece carinhosa e cheia de fervor, para que breve chegue ao trono de Jesus Cristo a alma imaculada do primeiro bispo de Alagoas e, das mãos de Deus, receba ele a palma da imortalidade e da eterna glória.”

quarta-feira, 10 de março de 2010

BRÁULIO CAVALCANTE

Há exatos noventa e oito anos, falecia em Maceió o pão-de-açucarense Bráulio Cavalcante.
Em meio à intensa agitação política de oposição ao Governador Euclides Malta, enquanto participava de uma manifestação em prol da candidatura do General Clodoaldo da Fonseca, foi assassinado em frente ao Palácio do Governo, na Praça dos Martírios.
Recém formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade do Recife, e a quatro dias de completar vinte e cinco anos, tinha uma vida promissora, ele que ainda tão jovem já era poeta, dramaturgo, romancista e jornalista.
Seu nome está imortalizado em Pão de Açúcar, onde dá nome à principal avenida da cidade e, em Maceió, com a Praça Bráulio Cavalcante, mais conhecida como Praça do Montepio.




terça-feira, 2 de março de 2010

SALVE 3 DE MARÇO!!!! 156 ANOS DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE PÃO DE AÇÚCAR

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE PÃO DE AÇÚCAR - UM ATO DO CONSELHEIRO SARAIVA


Entre 20 de outubro de 1853 e 26 de abril de 1854, presidiu a Província de Alagoas o Conselheiro José Antônio Saraiva. Este notável político e estadista brasileiro, nascido em Bom Jardim, município de Santo Amaro (BA), em 1º de maio de 1823, foi quase tudo neste país.

Em 1845, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo. Já em 1849 era eleito membro da Assembléia da Bahia e, em 1850, foi nomeado por D. Pedro II para presidir a Província do Piauí. Ali, sob forte oposição, transferiu a capital da Província de Oeiras para Teresina, que recebera o nome em homenagem à Imperatriz Tereza Cristina.

Em 1852, foi eleito Deputado, sendo em seguida nomeado Presidente da Província de Alagoas e, depois, de São Paulo e Pernambuco. Foi Ministro em várias Pastas do Império: Marinha, Negócios Estrangeiros, Fazenda, Guerra e Presidente do Conselho de Ministros, de 1881 a 1885, quando fez aprovar o Projeto de Lei que instituía as eleições diretas, que ficou conhecida como “Lei Saraiva” ou “Lei do Censo”.

Deixou ainda outro Projeto que o notabilizaria: o que tornava livres os escravos com mais de sessenta anos de idade. Este Projeto acabou por ser aprovado já no Governo de seu sucessor, o Barão de Cotegipe, em 28 de setembro de 1885, passando a ser conhecida por “Lei Saraiva-Cotegipe”.

Sendo homem de confiança de D. Pedro II, retirou-se para a Bahia após a proclamação da República. Foi ainda eleito Senador para o Congresso Constituinte – 1890/1891 mas, doente e frustrado com os rumos políticos do País, renunciou e permaneceu em Salvador até morrer, em 21 de julho de 1895.

Poucos dias antes de deixar a Província de Alagoas, assina, em 3 de março de 1854, a Lei Nº 233, conferindo a Pão de Açúcar a condição de Vila, emancipando-a da Vila de Mata Grande, circunscrita a uma vastíssima área de 2.195,2 km².

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Fonte: TERRA DO SOL ESPELHO DA LUA, de Etevaldo Amorim.



LEI Nº 233 DE 3 DE MARÇO DE 1854.

Art. 1º Ficam creadas duas novas comarcas nesta província, uma denominada Comarca de Imperatriz e outra Comarca de Matta-Grande, que terão por sedes as villas dos mesmos nomes, comprehendendo a primeira os termos da Imperatriz e Assembléia e a segunda os da freguezia de Pão de Assúcar e villa da Matta-Grande.

Art. 2º A povoação de Pão de Assúcar fica elevada à cathegoria de Villa, com a mesma denominação, tendo por limites os da respectiva freguezia.

Art. 3º Ficam revogadas quaesquer leis e desposições em contrário.


José Antônio Saraiva
PRESIDENTE


Nesta Secretaria foi publicada a presente Lei em 4 de março de 1854.
José Alexandrino Dias de Moura


Conselheiro JOSÉ ANTÔNIO SARAIVA

domingo, 17 de janeiro de 2010

CEM ANOS DO FUTEBOL EM PÃO DE AÇÚCAR

No Brasil e em muitos outros países o Futebol é o esporte mais praticado, mais popular e, cada vez mais, um interessante negócio que movimenta milhões de dólares.
A sua chegada em solo brasileiro se deu através de estudantes brasileiros na Europa. No caso de São Paulo, por Charles Miller; no Rio de Janeiro, por Oscar Cox; na Bahia, por José Ferreira Filho e, em Pernambuco, em fins do ano de 1903, pelas mãos de Guilherme de Aquino Fonseca, pernambucano que estudava na Inglaterra.
Segundo o cronista esportivo Givanildo Alves (um alagoano de Rio Largo radicado em Recife), coube ainda a Guilherme de Aquino Fonseca fundar o Sport Club do Recife, em 13 de maio de 1905, que abraçou o novo esporte, diferentemente do seu rival Clube Náutico Capibaribe, que recusara os seus apelos alegando que o Náutico “era destinado exclusivamente à prática de esportes aquáticos e que, além disso, o futebol não era esporte e sim troca de pontapés”.
Alguns anos depois, em 1909, o novo Presidente Ernesto Pereira Carneiro, “para não ver mais os rapazes do Náutico misturados aos do Sport, treinando futebol na Campina do Derby, como os jornais vinham noticiando quase todos os dias, resolveu introduzir o futebol no Náutico.” – Givanildo Alves, em História do futebol em Pernambuco.
Ainda naquele mesmo ano, no dia 24 de julho, aconteceu o primeiro jogo entre Náutico e Sport, no British Club, em que este perdeu por 3 x 1, segundo relata Givanildo Alves, enquanto transcreve a notícia do Jornal Pequeno:

“Os forwards do Sport Club ontem estavam infelizes nos seus passes, dando isso motivo a que a bola sempre caísse em poder dos half-backers do Náutico”, acrescentando ainda: “há muito aqui no Recife não tínhamos o prazer de assistir a uma festa tão concorrida e que pela sua própria natureza entusiasmasse tanto os espectadores. Decididamente, o futebol é um grande diplomata!”

Em Alagoas, segundo Lauteney Perdigão - conhecido pesquisador e profundo conhecedor das coisas do esporte, o futebol teria chegado “no ano de 1908, trazido pelos filhos de famílias poderosas que estudavam o curso superior na capital pernambucana; entre eles estavam o próprio varão do quase vitalício governador Euclides Malta.” – (Douglas Apratto Tenório – A Metamorfose das Oligarquias).
Em Pão de Açúcar tudo indica que aconteceu da mesmíssima forma. A capital pernambucana experimentava o futebol, recém apresentado pelo estudante Guilherme. Além disso, muitos ingleses ali residiam e estimulavam a sua prática. Filhos das famílias mais abastadas de Pão de Açúcar estudavam em Recife.
Esta notinha social, inserta na página 3 da edição de 19 de dezembro de 1909 do jornal A IDÉIA, nos leva a crer que a introdução do futebol em Pão de Açúcar tenha se dado através desses estudantes. Senão vejamos:

“Viajantes
Do Recife chegou no dia 14 o Dr. Luiz Machado, trazendo em sua companhia os esperançosos estudantes:
Augusto de F. Machado, Luiz de F. Machado, Júlio Evangelista, Antônio Alves Feitosa, Antônio de F. Machado, José Alves Feitosa e Júlio de Freitas Machado.”

Provavelmente em gozo de férias, é de se supor que esses jovens – entre catorze e dezesseis anos, logo iniciaram ou incentivaram a prática futebolística nas nossas várzeas ou nas nossas coroas, ou mesmo no meio da rua (quem sabe na nossa hoje conhecida Avenida Bráulio Cavalcante, na época desprovida de qualquer urbanização), já que, na edição de 23 de janeiro de 1910, o mesmo semanário noticia:

“FOOT BALL
Louvamos a idéia de alguns moços pão-de-açucarenses terem organizado um “Sport Club”, pois é mais um passo que damos para o progresso material de nossa terra.
Entretanto, lamentamos a falta de união que existe entre estes jovens, pois já consta que, levados pelo orgulho, cada um quer ser o primeiro.
Desejamos que olvidem-se essas diminutas discrepâncias e o “Sport Club” tenha uma vida duradoura.”

Note-se que o nome da nova agremiação era exatamente igual à do Recife: “SPORT CLUB”, numa clara reprodução da idéia concebida na capital de Pernambuco.
Tal era o entusiasmo que, no Carnaval daquele ano, a novidade foi a presença dos rapazes do Futebol. Aproveitando a popularidade da festa, os adeptos do novo esporte fizeram uma boa divulgação, desfilando pelas ruas da cidade, conforme noticiou a imprensa local:

“O foot-ball club merece especial atenção pela originalidade que patenteou. De frack e cartola, marchava a dois de fundo, músicos a retaguarda e, num recolhimento profundo, cantava de vez em quando e litanias plangentes de sabor rigorosamente fúnebre.”
Ao aparecerem na rua, muitas pessoas se levantaram de chapéu na mão, aguardando, respeitosas, a passagem dos restos de algum infeliz patrício. Alguns oficiosos, então, encarregavam-se de avisar que aquilo era o foot-ball club.
Deram a nota os rapazes do foot-ball.”
(A IDÉIA, 13 de fevereiro de 1910)

Apenas para reforçar a nossa premissa, lembramos que, em 1930, ocorreu a fundação de outro famoso clube de futebol em Pão de Açúcar: o Ypiranga Esporte Clube, cuja Diretoria assim se compunha: Júlio de Freitas Machado (Presidente), Antônio de Freitas Machado (Vice-Presidente), José Mendes Guimarães-“Zequinha Guimarães” (Diretor Esportivo), Odilon Pires de Carvalho (Tesoureiro), Antônio Tavares (Secretário), Lauro Marques de Albuquerque (Orador Oficial) e Odilon Rodrigues (encarregado do material esportivo e do campo) – Gervásio Francisco dos Santos, UM LUGAR NO PASSADO.
Lá estavam os outrora estudantes (Júlio e Antônio), ainda empenhados na consolidação do futebol em sua terra natal.
Nesses cem anos, muito progrediu esse esporte, principalmente após o surgimento, na década de 1960, dos dois maiores Clubes: Jaciobá Atlético Clube e Centro Sportivo Internacional, revelando craques e dividindo a cidade em disputas ferrenhas e apaixonadas
Na edição de 4 de abril de 1972, o jornal O CLARIM, pelo seu colunista esportivo José Alves da Silva (Zé Papaió), num trabalho de pesquisa entre os torcedores, escalou duas seleções pão-de-açucarenses de todos os tempos: a primeira, de 1950 a 1960, tinha a seguinte formação: Roque, Zé Baixo, Chico Preto, Luiz de Vitória, Albertino, Elísio Tri, Geremias, Zé de Ercília, Vavá, Manoel Gustavo e Germínio. A segunda, situada entre 1961 e 1971, formava assim: João Jorge, Deustete, Irineu, Tempero, Murilo, Guri, Carlos, Romeu, Jair, Bobito e Edilson.
Desde então, muitos outros bons jogadores surgiram, atuando pelos dois principais clubes da cidade e, também, em agremiações de outras cidades alagoanas e de outros Estados, como o CRB, CSE de Palmeira dos Indios, Capelense, Ipanema e outros. Foi o caso de Irineu, Berêu, Fernandinho, Cananô, Nei Braga e tantos outros.
Saudemos, então, os pioneiros do “esporte bretão” nas terras de Pão de Açúcar, augurando que a sua prática seja promotora da paz, da união e da fraternidade entre os seus praticantes e torcedores.

CENTRO SPORTIVO INTERNACIONAL
JACIOBÁ ATLÉTICO CLUBE

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia